domingo, 24 de janeiro de 2016

A etimologia da coragem é o que nos salva

Possivelmente o mais antigo conselho e consequentemente o mais dado é aquele que nos alerta em 'não criarmos expectativas'.
Quando esperamos qualquer retorno que não dependa unicamente de nossas próprias ações, crenças e moral, estamos na quase totalidade fadados à decepção; pois somos únicos, cada um dentro de seu ego e de seu caminho de experiências. E é com base neste cardápio pessoal e intransferível que criamos nossas atitudes.
Deste modo, não deveríamos em tempo algum acreditar que o outro,  que nasceu e viveu com diretrizes bem diferentes das nossas, faça as mesmas escolhas e acredite nos mesmo preceitos.
O mundo é um só; mas fazemos parte de grande diversidade que ele traz.

No entanto, de vez em quando , esbarramos por aí com alguns afins: nos sentimos em casa e os chamamos de amigos.
Hoje em dia, como resultado dos tantos valores deturpados e das muitas dores que eles trazem, muitos carregam com orgulho falsas alegorias que lhes permitem viver em grupos que falsamente lhes pertencem e que lhes trazem falsas alegrias.
Mas é compreensível: atualmente ser sincero com o que se passa no seu coração e fiel aos seus valores necessita, infelizmente, CORAGEM. Até porque a AÇÃO DO CORAÇÃO (cor+agem) é rigorosamente julgada e até condenada neste mundo de tanta SUPERFICIALIDADE.
E ser real em um mundo superficial custa caro: custa dores, custa lágrimas e custas ás vezes solidão.
Mas, como a solidão só existe para os que têm o coração vazio, vivemos por aí, esbarrando nestes poucos que nos enchem a alma e até parecem ser de outro mundo, mas são só os que na verdade fazem parte do nosso mundo; um mundo que não é nada perfeito, claro, mas é com certeza mais cheio de verdade e, consequentemente, de amor.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Platonismos ou as estórias que não fazem parte da história

Hoje eu enxergo nossa trajetória completa; o que me mostra que cumpriu-se sua missão.
Sim, porque não podemos enxergar todo o caminho se não estivermos no fim dele. Da metade só se sabe da metade.
A vida é mesmo o que acontece enquanto nossa mente divaga nas preocupações do presente, planos para o futuro e lembranças do passado. E quando um dia despertamos vemos como cada palavra, cada olhar, cada piada, cada minuto foi importante para a chegada neste final.
Aprendemos sobre o outro e um com o outro. Inspiramo-nos sem perceber. Tínhamos prazer em nossa companhia e certamente não demos ouvidos muitas vezes a certos pré-sentimentos. Construímos o caminho do fim, e foi divertido, até aqui.
Dificilmente conseguiremos voltar a ingenuidade inicial que decorou perfeitamente esta relação.
Perdemos as rédeas do politicamente correto aos três minutos do segundo tempo, no nosso        tie-break, mas pulamos a tempo de não cairmos neste precipício.
Como tudo que nasce e cresce sem que se perceba, o reconhecimento e a prática deste então delito seria certamente altamente apaixonante, envolvente e extasiante; mas o abismo só é fascinante enquanto não se chega em seu escuro e fundo poço, e lá, dificilmente tomaríamos novos voos com ares de fênix.
Mas, vivemos debaixo do mesmo céu e a ele nos elevamos.
Nos tornamos mais fortes e frágeis ao mesmo tempo e, no mínimo, criamos um pequeno espaço exclusivo, dedicado ao outro, dentro do nosso caminho chamado memória.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Só é passageiro o que não quer ficar

Dizem que nada é cem por cento certo ou errado e cabe a cada um julgar, segundo suas experiências e ensinamentos adquiridos durante a vida, o que melhor lhe aprouver.
Dizem que verdades não são absolutas e, admirem-se, existem até uns e outros que dizem provar que dois e dois podem até não ser quatro.
E por mais que eu respeite o direito de todos a serem como quiserem e melhor entenderem, tenho sérias dificuldades em aceitar meio termos.
Não sei lidar com mornos.
Indefinições me confundem, me tiram a paz e me afastam. Geralmente em definitivo.
Acredito que tudo que merece atenção tem sequência.
Por isso passamos mais de dez anos de nossas vidas indo diariamente a uma escola. Mais de quatro  a uma faculdade. Regamos a planta que nos dá um fruto. Suamos a camisa na academia. Investimos em cursos . Mandamos mensagem de bom dia, boa tarde e boa noite.
Queremos resultado. Queremos dar sequência àquilo que nos traz lucro, seja ele financeiro, emocional, físico ou moral.

Mas também acredito que os melhores investimentos, os que nos trazem maior retorno, são os que acontecem naturalmente. Quando não medimos esforços, quando não fazemos as contas, quando não contamos as calorias e nem os dias. Nos dedicamos, seja que parte for de nós ou de nossas horas, pelo simples prazer de gerar, multiplicar ou mesmo manter algo que nos é caro.
Quando é natural, passa a fazer parte de nossa caminhada e se torna parte de nós.
Assim se criaram os grandes negócios, e assim surgiram as grandes mudanças, foram postos em prática os melhores projetos, nasceram os mais sensacionais atletas, selaram-se as eternas amizades.....entraram para a eternidade os grandes amores.
O passageiro não cria nada. O passageiro no máximo te deixa uma lição e geralmente do que não fazer. O passageiro não é merecedor de atenção...até porque, só é passageiro, o que não quer ficar.


domingo, 10 de janeiro de 2016

O Quintal

João era bem simples.
Tinha uma casinha simples, um carrinho simples, um emprego que pagava as contas e alguns poucos e bons amigos.
Mas tinha um detalhe na vida de João que não era nada simples: seu quintal. Sim. Por detras de sua casinha simples (e da simplicidade do próprio) existia um lindo quintal. 
Tinha árvores que além de frutos frescos também trazia a sombra e o frescor nos dias de calor. Debaixo deles tinha a tranquilidade de repousar e ver o dia passar quando queria.
Nele podia ter a companhia de seus bichinhos que eram como família: dois cachorros, um gato e até um papagaio que lhe tirava boas risadas nos dias mais tristes.
E não era só isso: era belo. Com flores coloridas e gramado baixo que tornava tudo muito agradável a vista.
Mas, infelizmente, João estava a procura de um lugar para morar.
Uma casa maior, que pudesse atender melhor suas necessidades, onde pudesse ter mais segurança, muros mais altos, e pudesse guardar um carro que ainda nem tinha; procurava mais benefícios que nem sequer sabia se necessitava; mas eram os detalhes que ele via em cada casa que entrava e que a sua não possuía.
Enquanto que todos da rua e do bairro só desejavam uma coisa: ter um quintal igual ao de João.
Alguns não entendiam como uma pessoa tão simples como João havia sido capaz de conseguir a proesa de constuir tudo aquilo sozinho. Outros o invejavam tanto que desfaziam de suas posses por despeito mesmo, quando no fundo estavam de olho naquele pedacinho de terra. E ainda haviam uns bons companheiros que à sua maneira tentavam mostrá-lo o quanto aquilo que tinha em mãos era exatamente do tamanho da felicidade que necessitava.
Mas era em vão.
Porque enquanto se procura lá fora algo que já está ali, no seu quintal, a felicidade vai sempre parecer estar a um passo a sua frente, e nunca a seu lado.
E é verdade: porque este passo pra frente é João quem tinha que dar.
Esse passo, tão pequeno e curto, sempre caberá a nós mesmos, nós, “João” de nossas vidas, sempre procurando lá fora, o que está em nosso quintal.