domingo, 17 de janeiro de 2016

Platonismos ou as estórias que não fazem parte da história

Hoje eu enxergo nossa trajetória completa; o que me mostra que cumpriu-se sua missão.
Sim, porque não podemos enxergar todo o caminho se não estivermos no fim dele. Da metade só se sabe da metade.
A vida é mesmo o que acontece enquanto nossa mente divaga nas preocupações do presente, planos para o futuro e lembranças do passado. E quando um dia despertamos vemos como cada palavra, cada olhar, cada piada, cada minuto foi importante para a chegada neste final.
Aprendemos sobre o outro e um com o outro. Inspiramo-nos sem perceber. Tínhamos prazer em nossa companhia e certamente não demos ouvidos muitas vezes a certos pré-sentimentos. Construímos o caminho do fim, e foi divertido, até aqui.
Dificilmente conseguiremos voltar a ingenuidade inicial que decorou perfeitamente esta relação.
Perdemos as rédeas do politicamente correto aos três minutos do segundo tempo, no nosso        tie-break, mas pulamos a tempo de não cairmos neste precipício.
Como tudo que nasce e cresce sem que se perceba, o reconhecimento e a prática deste então delito seria certamente altamente apaixonante, envolvente e extasiante; mas o abismo só é fascinante enquanto não se chega em seu escuro e fundo poço, e lá, dificilmente tomaríamos novos voos com ares de fênix.
Mas, vivemos debaixo do mesmo céu e a ele nos elevamos.
Nos tornamos mais fortes e frágeis ao mesmo tempo e, no mínimo, criamos um pequeno espaço exclusivo, dedicado ao outro, dentro do nosso caminho chamado memória.

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